Nossa irmã e paroquiana Dona Ednéia Turino recebeu da Colônia Santa Clara uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e outra de Santa Clara para restauração. Pediu-me um parecer sobre as cores corretas para a pintura de restauro.

Pelo caminho de volta fiquei pensando no que Jesus havia dito a São Francisco anos antes daquela cena retratada pela imagem da santa: “Francisco, reconstrói a minha igreja que está em ruínas”. E agora estamos nós a reconstruir uma pequena imagem da moça entusiasta de Assis, Clara. Mas pensei: hoje é ainda necessário dar ouvidos ao que o Crucificado disse a Francisco? Cheguei à conclusão que sim. Como?

Antes de empreender a pintura é necessário estudar as formas, estampas, brocados, cores, expressões. O que é necessário fazer pela Igreja hoje?

Primeiramente é preciso conhecer o que foi edificado sobre a rocha que é Pedro, ver suas feridas na unidade, na caridade, na doutrina, na fé.

Há pouco tempo, uma pessoa, talvez até bem intencionada, mas pouco afeiçoada ao genuíno do Evangelho, dizia nas redes sociais que a Igreja deveria usar mais da excomunhão [penso que para punir, advertir, alertar os pecadores sobres os erros modernistas…] e eu comentei, claro, dando minha opinião, sem tentar nada impor que “creio que não, não devíamos usar mais da excomunhão, mas a Igreja deve usar mais da misericórdia”!

Onde falta a caridade evangélica, a lei se torna mestra. Jesus nos ensinou: “Vão e aprendam o que significa: “Misericórdia é que quero, e não sacrifício! ” [Mt 9,13; Os 6,6]. Misericórdia é o melhor remédio para curar as feridas do pecador. Ninguém deixa o erro por medo, mas pode mudar sua conduta por amor. Talvez seja por isso que o mestre de Nazaré insistiu nisso até no momento da morte da cruz: “Pai, perdoa…”

Quais as cores da imagem a serem usadas? Isso foi fácil. Mas quais as melhores cores que farão a Igreja, o cristão refulgirem neste mundo como sinais da presença de Deus?: “todos reconhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” [Jo 13,35]. Isto! O amor é melhor e mais intensa cor. Mas não é monocromático esse reino! É multicor. Assim a honestidade, a firmeza de caráter, a alegria, a humildade, a paz, a justiça, a grandeza de coração, a retidão, a fé, a esperança são os grandes sinais, as melhores cores que fazem, junto com as boas obras, o cristão brilhar num mundo quase cego ante os apelos de Deus. O paraíso não é preto e branco e nem cinza, sejam quais forem seus tons. É colorido de amor. É multiforme no bem!

Os santos, Igreja triunfante, que nesta vida viveram a riqueza da fé, esperança e caridade, intercedam por nós, Igreja peregrina, para sermos com eles, dignos das promessas de Cristo.

Santa Clara, alcançai para nós, um lugar no coração de Jesus, manso e humilde de coração.

Pe. José Altino Brambilla osb
Julho/2017